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Passeio no espaço
19 Outubro de 2001
 
O astronauta Jim Reilly sabe como é que é andar no espaço. “Uma das minhas memórias favoritas é estar pendurado com uma mão na Estação Espacial e balançando tanto que eu podia ver toda a Terra. Tu podes ver muitos dos detalhes da superfície. Uma vez eu tive a chance de estar pendurado na parte de baixo da Estação quando o pôr do sol estava a acontecer. Na medida em que o sol descia, as estrelas começaram a aparecer abruptamente. No espaço elas têm tamanhos diferentes e mesmo cores diferentes. Durante a noite podes ver flashes dos relâmpagos das tempestades na superfície lá em baixo. E quando eu estava a ver tudo isto, nós voámos pelas bordas da aurora, um tipo de cortinas verdes e brancas.”


Astronauta Jim Reilly, Especialista de Missões


A Aurora, fotografada em 1991 na Space Shuttle Discovery

Bastante espectacular, mas os astronautas que andam no espaço não podem estar a ver coisas durante muito tempo. Os seus trabalhos arriscados exigem toda a sua atenção. Um movimento descuidado pode enviá-los a girar pelo espaço. Trabalhar no espaço é muito mais difícil do que trabalhar na Terra. A coisa mais importante, diz o Jim Reilly, é ter calma.
Os astronautas treinam debaixo de água na Terra, que dá uma sensação muito próxima de estar em gravidade zero. “ A água ajuda a retardar os teus movimentos”, diz o Jim. “Tu podes fazer coisas que se as fizesses no espaço, ficarias fora de controlo”.

Se aparafusares um parafuso no espaço, não existe nada para ficares seguro e tu podes empurrar-te a ti próprio muito rapidamente. “Tu aprendes”, diz o Jim, “a trazer-te a ti próprio para parar e depois ficares tu próprio imóvel. Depois, tu podes fazer o que tem de ser feito”.

Mas não é só com a ausência de peso que os astronautas têm de lidar. O fato espacial é volumoso e duro para trabalhar lá dentro. O fato é pressurizado, assim como o do futebol americano, pelo que é difícil dobrá-lo.

 


O astronauta Jim Reilly na câmara de compressão, pronto a sair para um passeio.


322 kms por cima da Terra, trabalhar lá fora tem um significado completamente diferente.


Os fatos espaciais não muito fáceis de usar!

Para os tornar mais fáceis para os astronautas se moverem, os fatos têm junções nos cotovelos, nos ombros e nos joelhos. Mas mesmo assim eles não dobram muito. Tu só tens a área mesmo à tua frente para trabalhares.

Por exemplo, se tu quisesses agarrar num objecto para o colocar ao lado, tu não irias simplesmente chegar a ele como farias na Terra. A junção do ombro só dobra de frente para trás, não lado para lado. Tu poderias mover o teu braço lateralmente dobrando o braço inflado do fato, mas isso exige muito esforço. É mais fácil moveres todo o teu corpo até que fiques de frente para o objecto e depois chegar a ele.

As luvas, diz o Jim, são especialmente difíceis. Elas são construídas de forma a caberem na tua mão relaxada. Mas quando tu abres a mão, tu empurras de encontro à luva. Imagina que sempre que abriste as mãos, tu foste de encontro a uma faixa de borracha que mantém os teus dedos fechados. Após algum tempo, o teu braço começaria a sentir-se cansado. E, sempre, existe o constante barulho alto do ventilador que move o ar dentro do fato. Mas o Jim disse que se habituou ao fato, e já não ligava muito a ele.

O Jim disse que a melhor coisa de andar no espaço era parar para olhar à volta. “De vez em, só durante 10 segundos, eu parava e olhava à volta”, diz o Jim, “e via sobre que parte do planeta eu estava. Era mesmo uma alegria fazer esse trabalho. Espero ter a hipótese de o fazer novamente!”

 

Autora: Karen Miller


Actividade ExtraVeicular (EVA)

Sair de uma nave espacial apenas com um fato é perigoso mas excitante. A NASA chama a um passeio uma Actividade Extraveicular ou EVA ( do inglês, Extravehicular Activity).

Estar preparado para uma EVA, leva bastante tempo. Primeiro, o astronauta faz exercícios numa bicicleta estacionária enquanto respira oxigénio puro. De seguida, a pressão à sua volta é baixada para todos, mas na Estação Espacial, os astronautas que andam no espaço entram na área externa da câmara de compressão e a pressão é apenas baixada aí. Finalmente, o astronauta coloca-se no volumoso fato e respira o ar do fato durante mais uma hora. Finalmente, é altura de desligar a energia do fato vinda da Estação Espacial e, cabeça para fora.

Estar lá fora numa EVA é uma das experiências mais fantásticas que os astronautas têm. Porque existe muita pouca atmosfera, as estrelas não cintilam mas brilham como diamantes fixos num campo preto de veludo.

Créditos: Nasa Kids