Para apresentar esta breve História da Cortiça no Clube das Rolhas de Cortiça, convidámos o famoso historiador Zé Heimano Sá Raiva de Robocork.

 

Queríamos chamar a atenção dos nossos internautazinhos que, apesar de pretendermos apresentar este programa de forma diverida, como é natural (como as rolhas de cortiça), os factos apresentados são verdadeiros. E como a cortiça é proveniente dos sobreiros (nome científico: Quercus Suber), prometemos que esta será uma SUBER HISTÓRIA.

rOLhÁ, como estão?
Desculpem, mas para fazer este trabalho sobre a cortiça, depois de ter viajado na minha máquina do tempo que baptizei de Horizontes da Memória e que utilizo sempre nesta fantástica viajem que é a História, só vejo rolhas e cortiça. Mas comecemos.

A História da cortiça pode ser dividida em dois períodos: o período Antes da Rolha (AR) e o período Depois da Rolha (DR).


Antes do aparecimento da indústria rolheira, a cortiça tinha aplicações muito restritas, quase se limitando a aparelhos de pesca e bóias de salvação. O uso da cortiça nas artes da pesca, na Idade Média, é-nos atestada por alguns ornamentos em que a cortiça aparece associada às redes, como sucede com os motivos que ornamentam a janela artística da Casa do Capítulo, do Convento de Cristo, em Tomar.

A descoberta de tapar garrafas, por meio de rolhas, é atribuída a Dom Pierre Perrignon (entre 1670-1715), padre garrafeiro da Abadia de Hautvillers a quem se atribui a invenção do champanhe. Surpreendido com as vantagens dos bocados de cortiça usados pelos peregrinos espanhóis para tapar as cabaças de vinho, decidiu acabar com as lascas de madeira forradas a cânhamo embebido em azeite para vedar as garrafas.

Mas o uso das rolhas apenas se desenvolveu a partir de princípios do século XIX, com a instalação da indústria rolheira em Espanha, de onde irradiou para os vários centros produtores de cortiça, entre os quais os nossos, das províncias do Alentejo e Algarve.


Fonte:CORSER - Cortiça Ltd.


Como já disse, a indústria rolheira iniciou-se em Espanha, mais exactamente na província da Catalunha (que mais tarde nos viria a dar o FC Barcelona, onde joga o Figo) e, posteriormente, em Portugal.

Existem estudos que apontam que a nossa indústria tenha aparecido na época do Marquês de Pombal, mas numa fase manual primitiva. Nessa altura, as rolhas eram talhadas à mão, com uma faca, o que originava uma forma cilíndrica pouco rigorosa (mas os gargalos das garrafas da época também não eram muito bem feitos). De acordo com notícias da época, havia operários que conseguiam manufacturar 3 rolhas por minuto.

Em Portugal, a rolha de cortiça tornou-se conhecida no início do século XVIII, mas só por volta de 1770 passou a ser aplicada na garrafa cilíndrica.

A exportação de rolhas feitas no nosso país era já muito importante na última metade do século XVIII.

Em 1777, no reinado de D. José, já se exportavam rolhas das barras de Lisboa, Porto e Setúbal, daí que o autor do primeiro compêndio de subericultura (cultura dos sobreiros), Fragoso Sequeira, em 1790 referisse que "o uso de cortiça é de muito uso na economia".

Daí até aos nossos dias a indústria corticeira passou por muitas transformações e com Portugal a continuar a ocupar os primeiros lugares entre os produtores mundiais de cortiça.