
"Não basta
abrir a janela
Para ver os campos e o rio
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores."
(Alberto Caeiro)

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As florestas de sobreiros que, quando são plantadas pelo Homem, são conhecidas como Montados de Sobro, têm sido usadas para produzir cortiça e pastorear gado há centenas de anos, fazendo delas um santuário para a vida selvagem.
Quarenta e duas espécies dependem dos sobreiros para viver, incluindo a , da qual apenas existem 130 casais que fazem neles os seus ninhos. E outras espécies raras como a e o .
Pássaros mais pequenos, como os , o e o , migram para os Montados a partir do Norte da Europa, juntamente com os que vêm do Reino Unido. Na Primavera e no Verão, os Montados são também lar para uma rica variedade de borboletas e plantas, tendo sido registadas 60 espécies de plantas em apenas 1 metro quadrado. Nas partes mais remotas, o raro pode ainda ser encontrado.
Outras espécies de aves que dependem dos Montados incluem: o , , , , , , , , , , , e .
O sobreiro é, portanto, uma árvore que, além de nos dar um produto tradicional, cresce de uma forma amiga do ambiente, proporcionando comida e abrigo para uma grande variedade de vida selvagem.
Um sobreiro em particular, localizado em Águas de Moura, Setúbal, conhecido como devido ao cantar dos muitos pássaros que são atraídos por ele, é dito que tem mais de 210 anos. Estima-se que só esta árvore terá produzido cortiça que deu origem a 1 000 000 de rolhas até ao ano 2000.
Mas existe uma ameaça para o Montado e a extracção da cortiça dos sobreiros de Portugal e Espanha, que fornecem 80% da produção mundial (com 2/3 sendo usados para rolhas de vinho e champanhe): . Se estas substituírem as rolhas de cortiça natural, a utilidade dos sobreiros nos 2 países ibéricos desaparecerá também, pelo que muitas das árvores poderão ser destruídas e as numerosas espécies de pássaros que as usam desaparecerão. No caso de Portugal, põe em causa principalmente o desenvolvimento do Alentejo e o seu equilíbrio ecológico.
A importância ambiental dos sobreiros no Sul de Portugal e Espanha e outros países mediterrânicos poderá ser observada pelo facto de estas áreas poderem tornar-se em desertos parecidos aos do Norte de África. Ou, uma vez que só se extrai cortiça ao fim de 25 anos, o uso generalizado das rolhas sintéticas pode tornar a produção de cortiça muito dispendiosa, forçando os agricultores a cultivarem produtos como os girassóis ou árvores de mais rápido crescimento, como os eucaliptos. Isto pode resultar em solos mais pobres e em falta de água, causando grandes problemas para a vida selvagem e às pessoas.
| Por
isso, lembra-te: as "rolhas" de plástico para vinho são más para as aves. O
aumento do seu uso em garrafas ameaça a vida selvagem que depende das regiões produtoras
de cortiça em Portugal e Espanha. A cortiça natural oferece numerosas vantagens para as pessoas e vida selvagem e seria uma grande pena que a decisão de usar rolhas de plástico não tivesse em conta os grandes benefícios ambientais da cortiça natural. AS ÁGUIAS DOS MONTADOS PRECISAM QUE A PRODUÇÃO DE CORTIÇA CONTINUE E, PORTANTO, O ROBOCORK APELA A TODOS OS AMIGOS DO AMBIENTE (COMO TU), QUE AVISEM OS SEUS PAIS PARA APENAS COMPRAREM GARRAFAS DE VINHO COM CORTIÇA NATURAL. Se os sobreiros desaparecerem, a Europa irá perder uma das suas indústrias mais sustentáveis e alguma da sua mais importante vida selvagem. |
Texto baseado em informação da Royal Society for the Protection of
Birds.
Informação sobre as aves extraída do livro "Aves de Portugal e Europa", da FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens).